DATA

sábado, 19 de abril de 2014

1º DOMINGO DA PÁSCOA, ANO A – MATEUS

1ª Leitura:At 10, 34a.37-43;  Responsório: Sl 117; Leitura:Cl 3,1-4;Evangelho:Jo 20,1-9.

HOMILIA

Irmãos e irmãs, desde a noite da vigília no sábado, também neste domingo da ressurreição, soam os cantos alegres de aleluia e de glória em toda a Igreja. Esta alegria da ressurreição do Senhor se estenderá por cinqüenta dias como sendo uma festa única, um único dia. Vivemos o dia do Senhor marcados pela alegria verdadeira da sua vitória sobre as trevas da morte. Somos banhados em Cristo, somos novas criaturas, somos homens novos, por que o Senhor no encheu da sua vida e da sua força renovadora.
Contemplamos Maria Madalena, marcada pela dor da morte de Jesus e da saudade. Ela não espera o dia chegar e quando ainda é escuro corre para o túmulo (Jo 20,1). Vendo o túmulo vazio retorna e vai falar aos discípulos. Madalena é a primeira a anunciar o grande acontecimento. Os discípulos vão confirmar o que a mulher lhes tinha falado.
Como estavam ainda marcados pelos últimos acontecimentos, não conseguiram vislumbrar, a grande dádiva de Deus: Jesus tinha ressuscitado (Jo 20,9). Tudo era muito novo, muitas coisas precisavam acontecer para que os discípulos vivessem a certeza da ressurreição do Senhor. Aquela manhã do primeiro dia da semana ficará marcada no coração dos discípulos como o dia do Senhor, o dia em que nasce a fé na ressurreição, porque João,  o discípulo amado, viu e acreditou e por isso, espalhou esta certeza entre os seus amigos(Jo 20,8).
A notícia se espalhará por todos os cantos, a força do ressuscitado chegará ao coração dos outros discípulos e conseqüentemente ao povo. A fé agora será amadurecida na caminhada dos seguidores de Cristo até ao ponto de testemunharem sem medo tudo o que aconteceu. Alimentados da esperança e pela certeza, os discípulos enfrentarão o mesmo destino do Senhor. Serão perseguidos, serão caluniados e martirizados, mas encontrarão a ressurreição e a vida eterna.
Pedro e os outros discípulos irão anunciar as verdades da ressurreição como vemos na primeira leitura de hoje: “Ele nos mandou proclamar ao povo e testemunhar que Deus o constituiu Juiz dos vivos e dos mortos (At 10,42). Esta mensagem animou os primeiro seguidores e os fez seguirem em frente, motivo do qual chegou até nós, e por isso nos reunimos para encontrarmos com a Palavra viva para ouvirmos atentamente e a com a Eucaristia, corpo e sangue do Senhor que nos alimenta na nossa caminhada terrena.
E nós os cristãos de hoje, somos despertados para uma nova vida que se constrói a cada momento, que se renova em cada desafio vencido. A fé que temos no Senhor parte daquela madrugada de Madalena e dos discípulos. Somos também os discípulos missionários, os quais continuam a levar a mensagem de esperança e de vida nova ao mundo.
Devemos continuar com a mesma fé dos primeiros discípulos e como o apóstolo Paulo: Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto,onde está Cristo, sentado à direita de Deus;aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres (Cl 3,1-3).
Que nessa caminhada pascal que se inicia, possamos semear esperança e alegria aos que encontrarmos. Nosso mundo precisa da alegria verdadeira do Evangelho para ser melhor e mais cheio de paz. Sigamos em frente e meditemos neste período de 50 dias que se seguem, celebrados como sendo um, e cantemos confiantes: Este é o dia que o Senhor fez para nós:alegremo-nos e nele exultemos!(Sl117). Amém.

CRISTO SENHOR DO NOVO DIA

Despertados na madrugada,
Quando as trevas ainda persistem,
Caminhamos para o Senhor vitorioso,
Que vence a morte e é glorioso,
Anunciar é preciso sem demora,
Porque já chegou a nossa hora,
Porque Deus é vida é poderoso.

Caminhar neste novo dia,
Precisa-se de fé e muito amor,
Sem medo de a verdade anunciar,
Com o Ressuscitado caminhar,
Pois é pela fé que continuamos,
Quando se acredita segue-se caminhando,
E com firmeza se deve continuar.

Mesmo que tenhamos insegurança,
E entre desafios possamos caminhar,
Precisamos logo, logo correr,
E o medo da morte sempre vencer,
Porque para continuar a caminhada,
Caminhemos firmes nesta estrada,
Com esperança e se esmorecer.

Na ressurreição está a nossa fé,
Deste ponto tudo começou,
E esta semente foi aos poucos germinando,
Espalhada pela seara e frutificando,
Para chegar até onde nós estamos,
Por isso, o aleluia hoje cantamos,
Porque o reino de Deus está se confirmando.
Domingo de Ramos da Paixão do Senhor Quaresma - ANO A – MATEUS

1ª Leitura:Is 50,4-7; Responsório:Sl 21; Leitura:Fl 2,6-11;
 Evangelho: Procissão: Mt 21,1-11; Paixão: Mt 26,14-27,66 -

HOMILIA

Irmãos e irmãs a celebração do Domingo de Ramos, insere-nos no clima e sentido espiritual da Semana Santa. Nesta liturgia contemplamos Cristo que caminha livre para Jerusalém onde irá viver a sua paixão e morte, também nos dará como presente a vida eterna, pois vencerá a morte para sempre e ressuscitará para nos dar a ressurreição.
Na caminhada de Jesus para Jerusalém também vemos a sua simplicidade e a sua entrega como rei diferente, pois montará num jumentinho emprestado para nos mostrar que o seu reinado sobre o mundo é marcado pelo amor e pela entrega total para a nossa salvação.
Em procissão vamos também nós, cantando “Hosana ao Filho de Davi, Bendito o que vem em nome do Senhor”. A nossa vida também é marcada pela caminhada rumo à cidade santa, a cidade celeste, em procissão para a casa da Palavra e do Pão que nos oriente e nos alimenta e nos faz crescermos como irmãos e irmãs.
Nesta caminhada também encontramos as muitas cruzes e mortes, como Jesus encontrou, na sua missão entre nós. Mas também encontramos a vitória, pois ressuscitamos com ele, nos levantamos e seguimos em frente. Somos ainda alimentados pela fé na ressurreição para a vida eterna que é a nossa meta principal como discípulos seus. Cristo vive entre nós e nos dá o seu Espírito para vivermos no mundo, seguindo os seus passos na construção do seu Reino de amor e paz.
A celebração de domingo de Ramos nos insere na Semana Santa nos dando o clima e o tom de todo o percurso a ser vivido nos dias seguintes. O roteiro homilético da cnbb nos lembra que nesta semana viveremos cinco movimentos os quais marcam não somente este tempo mas toda a nossa caminhada de fé, dentro do sentido de um itinerário pascal.
O primeiro movimento é a procissão de domingo de Ramos usando a cruz à frente como sinal da paixão e da vitória de Cristo sobre a morte. Ele que nos guia no nosso caminhar de discípulos missionários seus.
O segundo movimento acontece concretamente na sexta-feira santa, quando caminhamos para beijar a cruz. Ela é o sinal da glória de Cristo, representação do amor máxima de Jesus por nós,a explicação do limite o qual Jesus chegou para nos apresentar a face misericordiosa de Deus Pai pelos homens.
Quanto ao terceiro movimento podemos dizer o mais forte e marcante para os cristãos, pois é o nosso caminhar atrás do círio Pascal, a luz verdadeira que brilha nas trevas. A noite da morte agora já não existe mais. Cristo ressuscitado agora nos guia e nos ilumina com sua luz. Caminhamos sem medo da escuridão das dores, das angústias e das tristezas, pois agora somos vencedores marcados pela alegria, coragem e paz no mundo. Cristo está vivo!
O quarto movimento diz respeito à nossa procissão rumo à mesa cujo o alimento é o corpo do ressuscitado, o seu sangue nos mata a sede e nos sacia para continuarmos firmes, marcados pela esperança num mundo novo cheio de fraternidade e vida nova para todos.
No quinto e último movimento, somos enviados em missão para proclamarmos que Cristo venceu a morte e que ele está conosco animando-nos com o seu Espírito. Lá fora da Igreja, no mundo, daremos testemunho de verdadeiros seguidores do Cristo, seremos os continuadores de sua mensagem salvífica. Seremos presenças vivas entre os homens para mostrarmos a face do Senhor que é amor e compaixão que deseja que todos sejam irmãos.
Portanto, vivamos a semana das semanas, num espírito de oração, de penitência, jejum e, sobretudo de atenção aos passo do Senhor na sua paixão, morte e ressurreição, pois é nesta verdade e neste acontecimento que está fundamentada a nossa fé.

O CAMINHO COM JESUS

Com alegria e liberdade,
Vamos com o Senhor,
Seguindo-o na simplicidade,
Vivendo a irmandade,
E como caminheiros,
Sejamos companheiros,
Da vida em totalidade.

Com ramos de palmeiras,
E a cruz, nosso sinal,
Seguimos a cantar,
Também a caminhar,
Pensando no Senhor,
No infinito amor,
Que quer nos inundar.

E chagando em sua casa,
Atentos, vamos ouvi-lo,
Sua Palavra viva,
Que tanto nos motiva,
Que nos guia e nos alimenta,
E também que nos sustenta,
Numa caminhada ativa.

domingo, 6 de abril de 2014

5ª SEMANA DA QUARESMA, ANO A – MATEUS

1ª Leitura: Ez 37,12-14;  Responsório: Sl 129;  Leitura: Rm 8,8-11; Evangelho: Jo 11,1-45.

HOMILIA

            Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais (Jo 11,25-26).
            O Evangelho deste 5º domingo da Quaresma nos apresenta o grande sinal de que Cristo é o Salvador do mundo e que acreditar na sua palavra nos leva a participar das alegrias da ressurreição. A fé será a nossa grande resposta nesta certeza que é a experiência de amor e de vida completa com o Senhor que nos chama a desatar a nossas amarras e caminhar sempre como ele.
            A quaresma só terá sentido para cada um de nós se caminharmos rumo à ressurreição, num percurso de crescimento espiritual sempre marcado pela a alegria e pela esperança na nossa vitória, mesmo frente a tantas manifestações de morte que tentam nos tirar a certeza de vivermos na paz e na liberdade oferecida por Cristo.
Na narração da ressurreição de Lázaro, encontramos modelos de fé em Cristo, os quais servem para que nos orientemos sobre nossa vida espiritual que também muitas vezes é marcada pelas tristezas, morte e falta de esperança. O primeiro modelo é referente à Marta que professa sua fé no Senhor da vida: Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo (Jo 11,27). Alimentada por esta esperança e certeza ela vai anunciar para a sua irmã sobre a presença de Jesus entre elas. A fé de Marta se expressa na condição de se colocar a caminho para anunciar a esperança na ressurreição já no tempo presente. Maria e os judeus precisaram presenciar o sinal da ressurreição para poderem acreditar no milagre da vida nova.
Lázaro que está no túmulo, enterrado há quatro dias (simboliza: o tempo depois da morte de Jesus), de mãos e pés atados e sem possibilidades de movimento. Jesus ordena: Desatai-o e deixai-o caminhar! (Jo 11,44b) Diante da ressurreição de Lázaro muitos dos judeus que tinham ido à casa de Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele ( Jo 11, 44-45).
Precisamos refletir sobre o sentido deste sinal de Jesus para o nosso crescimento espiritual e a nossa fé na ressurreição. A morte de Lázaro nos lembra toda a humanidade morta pelo  pecado e é através de Jesus que todos tem acesso à vida que vence o pecado. O batismo é a porta que nos traz de volta para a vida eterna, para a vitória sobre o pecado. O choro de Jesus nos lembra de que ele se compadece da nossa dor e por isso se comove, porque caminha conosco sendo solidários aos nossos sofrimentos, cruzes e dores que acontecem na existência terrena de cada um de nós.
Quanto ao túmulo, lembramos que muitas vezes estamos sepultados no nosso individualismo, nossa indiferença, nosso comodismo, nosso medo de seguir em frente com o Senhor. Precisamos desatar as mãos para que construamos a paz e a fraternidade. Precisamos desamarrar nossos pés das amarras do indiferentismo e da zona de conforto que muitas vezes nos impedem de seguirmos caminhando com Jesus como discípulos missionários pelas estradas do mundo.
Precisamos lembrar a 1ª leitura desta liturgia, quando o profeta Ezequiel fala para o povo de Israel escravo na Babilônia: Ó meu povo, vou abrir as vossas sepulturas
e conduzir-vos para a terra de Israel; e quando eu abrir as vossas sepulturas e vos fizer sair delas, sabereis que eu sou o Senhor (Ez 37,12-13).
Muitas vezes, estamos presos no sepulcro do pessimismo e da tristeza como escravos do comodismo e sem coragem pra continuar a nossa caminhada. Diante disso escutemos o Senhor que diz: Desatai-o e deixai-o caminhar.
Na Eucaristia, encontramos toda força para levantarmos e seguir em frente com Jesus para anunciar  evangelho pelo mundo a fora. Ele caminha conosco e nos dá a vida verdadeira, livre das amarras da morte que nos aprisiona. A Palavra do Senhor deve encher a nossa vida de alegria e esperança, para sermos sinais de Deus no mundo.
Lembremo-nos das palavras do Papa Francisco no início de sua exortação apostólica: A Alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria[1] .
Que o Senhor que dá vida nos encha de esperança e alegria e nos conduza para celebrarmos com profundidade sua Páscoa, a Festa das festas. Amém
  
VEM PARA FORA!

O Senhor nos chama:
Vem para fora,
Do teu medo,
A desesperança,
E segue em frente,
Para seguir,
E levar o meu amor ao mundo.

O Senhor nos ordena:
Vem para fora,
Da tua preguiça,
Do teu comodismo,
Para testemunhar,
A ressurreição,
Na esperança verdadeira.

O Senhor nos alerta:
Vem para fora,
Do teu orgulho,
Da tua indiferença,
E vem construir
A fraternidade,
Como meu povo eleito.

E agora meditemos:
Ordenados,
Alertados,
Levantemo-nos,
Saiamos depressa
Dos nossos túmulos,
E ressuscitemos...

[1] Evangelii Gaudium: nº 1

sábado, 29 de março de 2014

4ª SEMANA DA QUARESMA, ANO A – MATEUS

1ª Leitura: 1Sm 16,1b.6-7.10-13a;  Responsório: Sl 22; Leitura: Ef 5,8-14; Evangelho: Jo 9,1-41

HOMILIA

            No início desta 4ª semana da Quaresma somos convocados a viver o domingo da alegria, pois já se aproxima a páscoa do Senhor, a festa da vida verdadeira e infinita.
            A liturgia da Palavra nos leva a refletir que devemos livrar nossos olhos da cegueira que muitas vezes nos impedem de ver a presença do Senhor em nossas vidas e também os milagres que ele vai operando em nosso caminhar.
Vejamos a ação de Jesus na ação da cura do cego: Cuspiu no chão, fez lama com a saliva e colocou-a sobre os olhos do cego. E disse-lhe: “Vai lavar-te na piscina de Siloé”.  O cego foi, lavou-se e voltou enxergando (Jo 9,6-7).
O que podemos aprender destes versículos do Evangelho de João? Jesus com a sua saliva e um pouco de terra faz lama. O barro nas mãos de Jesus nos lembra a criação, quando o homem esteve nas mãos de Deus, (O perfeito artesão), para ser moldado e criado. Em Jesus o homem é recriado, recapitulado para sair da primeira cegueira: o pecado de Adão. O Senhor nos faz enxergar e nos refaz além do nosso físico, ou seja, além da nossa visão das cores, das coisas, dos outros. O Senhor nos ilumina com sua luz, pois como vasos de barro que somos não podemos ser danificados com os perigos que as trevas poderão nos trazer.
Após a cura, o cego foi aconselhado a se lavar na piscina, pois a água nos lembra que é através do batismo que somos restaurados e inseridos na multidão dos filhos e filhas que participam da ressurreição do Senfhor.
Pelo texto que meditamos neste domingo podemos perceber a tensão que existia no ambiente religioso, social e cultural em que estava aquele cego. Os doutores da lei querendo reprimir o homem que agora enxergava, e por isso, cegos, sem perceber a luz de Deus, buscavam explicações nas leis humanas, também de forma cega, justificando que em dia de sábado ninguém podia trabalhar, inclusive se fosse para fazer o bem.
Até mesmo os discípulos estavam contaminados da pela ideologia dos doutores da lei: Mestre, quem pecou para que nascesse cego: ele ou os seus pais?  (Jo 9,2). Neste momento Jesus também precisou curar os seus colaboradores da cegueira espiritual que impedia ver a glória de Deus se manifestar.
O plano de Deus nos surpreende porque ele age fora dos nossos parâmetros. Foi assim que agiu quando Israel precisou ungir o seu rei. O rei Davi era o que ninguém esperava ser escolhido, estava inclusive pastoreando o rebanho nos campos de Israel. O Senhor disse: 'Levanta-te, unge-o: é este!' a Samuel tomou o chifre com óleo e ungiu a Davi na presença de seus irmãos. E a partir daquele dia o espírito do Senhor  se apoderou de Davi (1Sm 16,12-13). Por isso muitas vezes não podemos enxergar apenas com nossas parâmetros humanos e agir segundo nossos critérios, mas deixar que Deus nos ilumine com sua providência.
Precisamos reconhecer que através do nosso batismo somos iluminados e banhados para sempre pela luz verdadeira e a água da vida que vem do Senhor. Neste sentido somos convidados a ter em nosso coração a convicção que são Paulo nos fala na sua carta aos Efésios: Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz. E o fruto da luz chama-se: bondade, justiça, verdade (5,8-9). De acordo com estes versículos, devemos não somente viver na luz de Cristo, mas vivermos como luz do Senhor através da bondade, justiça e verdade. O mundo necessita desta virtude para que seja mais humano e justo.
Peçamos a luz e a força do Espírito Divino para que nos ilumine em nossa peregrinação terrestre. E que o Bom Pastor nos conduza à vida verdadeira, nos livrando dos perigos que poderão nos levar a nos tira do caminho do céu. Amém.

GUIA-NOS E LAVA-NOS, SENHOR

Como pastor supremo,
Que guia o nosso caminho,
Orienta-nos Senhor,
Com tua luz,
Aonde vamos.

Como Luz em nós,
Faze-nos luz,
Para iluminar o mundo,
Com o teu amor,
Que nunca se acaba.

Como Luz perfeita,
Que nos tira a cegueira,
Mostra-nos Senhor,
O horizonte,
Que queremos chegar.

Como luz da vida,
Cura-nos das incertezas,
Das dúvidas perigosas,
Que nos desviam,
E nos faz errantes.

E nas tuas fontes,
Lava-nos e purifica-nos,
Recapitulando-nos,
Nas tuas mãos,
Nosso oleiro perfeito.

sábado, 22 de março de 2014

3ª SEMANA DA QUARESMA, ANO A – MATEUS

1ª Leitura: Ex 17,3-7; Responsório: Sl 94; Leitura: Rm 5,1-2.5-8; Evangelho: Jo 4,5-42.

HOMILIA

            Quem beber da água que eu lhe darei, esse nunca mais terá sede. E a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna (Jo 4,14).
            Neste 3º Domingo da Quaresma, o evangelista João nos apresenta Jesus em plena luz do dia, marcado pelo sol escaldante, a beira do poço de Jacó.  Cansado, fisicamente, da caminhada de peregrino vai ao poço e aí acontece um encontro com uma mulher samaritana que com certeza sempre ia para aquele poço buscar água. Ela viverá uma experiência nunca esperada, pois aquele meio dia não fora comum como os outros, algo mudou a sua vida completamente. Ela era de um grupo de pessoas descriminadas pelos judeus e, por isso nunca esperaria um encontro com um mestre de Israel, um profeta, que lhe ouvisse e até ousasse pedir-lhe água para beber.
Para os discípulos também foi uma surpresa, porque, ao chegarem junto a Jesus não entendem aquela conversa (Jo 4,27).  A aproximação de Jesus e o diálogo dele com a samaritana apresentam a ação de Deus que vem ao encontro das pessoas pra oferecer a sua vida. Ele é a fonte de água viva e infinita, que sacia a sede de todos os que o encontram.
A presença dele junto àquela mulher mudou o jeito dela enxergar o seu caminho, de conceber a presença de Deus, de buscar os anseios mais profundos da  sua alma, pois agora Deus se coloca no mesmo nível dela para poder se comunicar e oferecer-lhe o sentido verdadeiro da vida.
Alimentada com a presença e a experiência de Jesus, convencida da chegado do Messias ao mundo, a samaritana tornar-se missionária e vai anunciar. Imediatamente, foi à sua cidade comunicar o encontro mais importante e mais marcante da sua existência, e de tão convicta que estava daquela realidade, fez o povo também ir a Jesus (Jo 4, 30, 40-42).
A ação de Jesus de oferecer a verdadeira água para os samaritanos nos lembra o povo no deserto quando falta a água, reclama da sede e diante de Moisés murmura, chegando a duvidar de Deus (Ex 17,7b). Da rocha firme Deus faz brotar a água pra saciar a sede do povo (Ex 17,6b). Moisés é o intercessor do povo, que o escuta e dirige a Deus em oração a sua súplica a favor do povo para solucionar os problemas que vão surgindo na caminhada pelo deserto. Também a samaritana foi à ponte entre seu grupo e Jesus.                Foi por causa do seu anúncio sobre o Senhor que muitos correram ao encontro de Jesus, para matar a sede de amor e superar os tanto vazios e discriminações sofridas por parte dos doutores da lei e fariseus.
Jesus é a nossa fonte de água viva e eterna, na caminhada do nosso deserto, quando muitas vezes sentimo-nos cansados, com sede e pouca força para continuar. Nele encontramos a esperança e a salvação e com ele anunciamos o Reino de Deus.
Pela água somos inseridos no novo povo de Deus através do Batismo, por ela somos purificados do pecado original e nelas somos mergulhados para nascermos de novo e desta vez para a eternidade. O Senhor é a fonte verdadeira que sacia a nossa sede existencial. O Batismo nos dá a dignidade de sermos filhos de Deus e de caminharmos com ele na nossa missão de falar para os outros do encontro que fizemos através da escuta da sua Palavra e do saciar-se do seu corpo e sangue.
Marcados pelo encontro com o Senhor, somos motivados a falar para os irmãos e irmãs como falou São Paulo aos Romanos: E a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado (Rm 5,5).
Portanto, nesta quaresma somos chamados a meditar sobre a nossa experiência de conversão a que fomos chamados na quarta-feira de cinzas. Fomos chamados a vivermos o jejum, a oração e a esmola, como gestos e práticas que nos preparam para a Páscoa. Não podemos esquecer-nos da orientação da Igreja, que neste ano nos chama refletirmos sobre a situação do tráfico humano o qual é uma das grandes chagas que a humanidade está sofrendo.
Rezemos por todos os cristãos para que sejam discípulos missionários de  Jesus Cristo e, sobretudo pelos que fizeram uma experiência de encontro recente com Jesus para que perseveram no caminhar com o Senhor e que rezem sempre como o salmo 94: Vinde, exultemos de alegria no Senhor, aclamemos o Rochedo que nos salva! Ao seu encontro caminhemos com louvores e, com cantos de alegria o celebremos! Amém

DA-ME DESTA ÁGUA VIVA

Senhor,
Dai-me desta água viva
Que sacia e me alivia,
Deixando-me forte,
Vencendo a morte,
Para chegar ao céu.

Senhor,
Dai-me desta água viva,
Que muda a minha vida,
E me faz caminhar,
Sem desanimar,
Rumo a tua fonte.

Senhor,
Dai-me desta água viva,
Que me faz sair,
E aos outros anunciar,
Sempre proclamar,
Tuas maravilhas.

Senhor,
Dai-me desta água viva,
Que me preenche,
Muda minha vida,
Amor sem medida,
Além do meu chão.

Esta água viva,
Quero sempre buscar,
Para purificação,
E a comunhão,
Que me dá sentido,
Sempre encontrar.


sábado, 15 de março de 2014

2ª SEMANA DA QUARESMA, ANO A – MATEUS

1ª Leitura: Gn 12,1-4a; Responsório: Sl 32/33; Leitura: 2Tm 1,8b-10; Evangelho: Mt 17,1-9

HOMILIA

            Irmãos e irmãs, neste 2º Domingo da quaresma, o Evangelista Mateus nos convida a subirmos a montanha com Pedro, Tiago e João e contemplarmos o rosto transfigurado de Jesus que como o sol, ilumina todo homem fazendo resplandecer toda a beleza infinita. As roupas brancas como a luz, nos apresentam a santidade e a pureza do filho muito amado do Pai que também nos envolve com seu amor e nos faz santos como o Pai do Céu é santo.
Há ainda a presença de Moisés e Elias na cena apresentada por Mateus. Eles representam a Lei e os profetas para nos afirmar que em Jesus a Lei é cumprida plenamente porque ele é o novo Moisés aquele que conduz o novo povo de Deus. Em Jesus também está a profecia, o anúncio da justiça e da fraternidade, por que a Palavra de Deus agora se encarnou no meio do homens, fala conosco como amigo.
Os discípulos se deliciam com a experiência mística da transfiguração e querem ficar lá, com tendas armadas para cada um. Isso confirma a vontade humana de ficarmos sempre num ambiente de conforto.  São Leão Magno nos fala que a principal finalidade da transfiguração era afastar dos discípulos o escândalo da cruz, para que a humilhação da paixão, voluntariamente suportada, não abalasse a fé daqueles a quem tinha sido revelada a excelência da dignidade oculta de Cristo[1].
Apesar de que todos nós precisamos ficar um pouco usufruindo do bem estar com a família, com os amigos, precisamos parar um pouco para nos abastecer no aconchego da nossa casa, saborear espiritualmente da maravilhosa e edificante força e encontro com a Eucaristia. Sempre precisamos louvar e buscar a alegria que preenche o nosso coração. Queríamos uma vida sem desafios, sem dor e sem problemas, mas não é possível neste mundo.
Precisamos nos levantar como o Senhor pediu aos seus discípulos, seguir em frente. Faz-se necessário descer o monte da transfiguração, para que iluminados e fortalecidos pela luz do Senhor continuemos caminhando,  para prosseguir com Cristo e anunciar o Reino de Deus com o nosso testemunho e nossa perseverança. Precisamos muitas vezes sair do nosso lugar de mesmice, como Abraão que deixa sua terra e se abre a uma nova experiência de acordo com o que Deus chamou e ao mesmo tempo enviou. E a experiência de caminhar com Jesus na transfiguração e na missão é sempre feita junto aos irmãos, nunca isolada. Devemos ficar atentos à voz do Pai que nos pede para ouvir o seu filho muito amado, para viver o seu Reino de justiça e de amor.
A quaresma é este tempo de rezarmos, silenciarmos, fazer penitência e buscar nos aperfeiçoar cada vez mais na nossa vivência cristã através do sacramento da confissão. Tempo de nos purificar dos apelos que nos tiram do caminho nos deixando acomodados e preguiçosos diante de tantas ações que podemos realizar a serviço do reino de Deus.
Lembremos também da campanha da fraternidade que neste ano nos faz refletir sobre o tráfico humano. Muitas pessoas neste momento são crucificadas pela prostituição e escravidão no trabalho. Muitas crianças são arrancadas de seu lar ou são vendidas pelos que o geraram para serem enviadas a outros lares de forma totalmente ilegal; outros são assinados para que seus órgãos sejam comercializados por criminosos em nome somente do deus dinheiro. Não podemos esquecer que todas essas vítimas são filhos de Deus como cada um de nós. Saiamos do nosso comodismo e indiferença e rezemos por todos eles e se for preciso denunciemos estes casos de morte presente em nosso mundo.

É BOM FICARMOS AQUÍ

Senhor é bom ficarmos aqui,
Na comodidade do teu amor,
No transfigurar da tua beleza,
No encontro da tua mesa,
Num encontro em que não há dor,
Presença santa de tua fortaleza.

Senhor é bom ficarmos aqui,
Como corpo e membros amados,
Como amigos de caminhada,
Presentes à mesa sempre preparada,
Para nos fazer saciados,
Para continuar a caminhada.
  
Senhor é bom ficarmos aqui,
Mas é preciso continuar,
O caminho do discipulado,
Seguindo os passos do teu chamado,
Para o teu Reino anunciar,
E vida nova sempre plantar,
Nos sentido sempre auxiliados.

Senhor é bom ficarmos aqui,
Mas tu mesmo nos chama a levantar,
E sem medo seguir,
Para aos outros se unir,
E anunciar o Reino em comunhão,
Seguir pelas estradas da missão,
Perseverantes, sem desistir.
  
 [1]Dos sermões de São Leão Magno,  Liturgia da Hora II, 2º Domingo da Quaresma.