DATA

domingo, 6 de abril de 2014

5ª SEMANA DA QUARESMA, ANO A – MATEUS

1ª Leitura: Ez 37,12-14;  Responsório: Sl 129;  Leitura: Rm 8,8-11; Evangelho: Jo 11,1-45.

HOMILIA

            Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais (Jo 11,25-26).
            O Evangelho deste 5º domingo da Quaresma nos apresenta o grande sinal de que Cristo é o Salvador do mundo e que acreditar na sua palavra nos leva a participar das alegrias da ressurreição. A fé será a nossa grande resposta nesta certeza que é a experiência de amor e de vida completa com o Senhor que nos chama a desatar a nossas amarras e caminhar sempre como ele.
            A quaresma só terá sentido para cada um de nós se caminharmos rumo à ressurreição, num percurso de crescimento espiritual sempre marcado pela a alegria e pela esperança na nossa vitória, mesmo frente a tantas manifestações de morte que tentam nos tirar a certeza de vivermos na paz e na liberdade oferecida por Cristo.
Na narração da ressurreição de Lázaro, encontramos modelos de fé em Cristo, os quais servem para que nos orientemos sobre nossa vida espiritual que também muitas vezes é marcada pelas tristezas, morte e falta de esperança. O primeiro modelo é referente à Marta que professa sua fé no Senhor da vida: Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo (Jo 11,27). Alimentada por esta esperança e certeza ela vai anunciar para a sua irmã sobre a presença de Jesus entre elas. A fé de Marta se expressa na condição de se colocar a caminho para anunciar a esperança na ressurreição já no tempo presente. Maria e os judeus precisaram presenciar o sinal da ressurreição para poderem acreditar no milagre da vida nova.
Lázaro que está no túmulo, enterrado há quatro dias (simboliza: o tempo depois da morte de Jesus), de mãos e pés atados e sem possibilidades de movimento. Jesus ordena: Desatai-o e deixai-o caminhar! (Jo 11,44b) Diante da ressurreição de Lázaro muitos dos judeus que tinham ido à casa de Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele ( Jo 11, 44-45).
Precisamos refletir sobre o sentido deste sinal de Jesus para o nosso crescimento espiritual e a nossa fé na ressurreição. A morte de Lázaro nos lembra toda a humanidade morta pelo  pecado e é através de Jesus que todos tem acesso à vida que vence o pecado. O batismo é a porta que nos traz de volta para a vida eterna, para a vitória sobre o pecado. O choro de Jesus nos lembra de que ele se compadece da nossa dor e por isso se comove, porque caminha conosco sendo solidários aos nossos sofrimentos, cruzes e dores que acontecem na existência terrena de cada um de nós.
Quanto ao túmulo, lembramos que muitas vezes estamos sepultados no nosso individualismo, nossa indiferença, nosso comodismo, nosso medo de seguir em frente com o Senhor. Precisamos desatar as mãos para que construamos a paz e a fraternidade. Precisamos desamarrar nossos pés das amarras do indiferentismo e da zona de conforto que muitas vezes nos impedem de seguirmos caminhando com Jesus como discípulos missionários pelas estradas do mundo.
Precisamos lembrar a 1ª leitura desta liturgia, quando o profeta Ezequiel fala para o povo de Israel escravo na Babilônia: Ó meu povo, vou abrir as vossas sepulturas
e conduzir-vos para a terra de Israel; e quando eu abrir as vossas sepulturas e vos fizer sair delas, sabereis que eu sou o Senhor (Ez 37,12-13).
Muitas vezes, estamos presos no sepulcro do pessimismo e da tristeza como escravos do comodismo e sem coragem pra continuar a nossa caminhada. Diante disso escutemos o Senhor que diz: Desatai-o e deixai-o caminhar.
Na Eucaristia, encontramos toda força para levantarmos e seguir em frente com Jesus para anunciar  evangelho pelo mundo a fora. Ele caminha conosco e nos dá a vida verdadeira, livre das amarras da morte que nos aprisiona. A Palavra do Senhor deve encher a nossa vida de alegria e esperança, para sermos sinais de Deus no mundo.
Lembremo-nos das palavras do Papa Francisco no início de sua exortação apostólica: A Alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria[1] .
Que o Senhor que dá vida nos encha de esperança e alegria e nos conduza para celebrarmos com profundidade sua Páscoa, a Festa das festas. Amém
  
VEM PARA FORA!

O Senhor nos chama:
Vem para fora,
Do teu medo,
A desesperança,
E segue em frente,
Para seguir,
E levar o meu amor ao mundo.

O Senhor nos ordena:
Vem para fora,
Da tua preguiça,
Do teu comodismo,
Para testemunhar,
A ressurreição,
Na esperança verdadeira.

O Senhor nos alerta:
Vem para fora,
Do teu orgulho,
Da tua indiferença,
E vem construir
A fraternidade,
Como meu povo eleito.

E agora meditemos:
Ordenados,
Alertados,
Levantemo-nos,
Saiamos depressa
Dos nossos túmulos,
E ressuscitemos...

[1] Evangelii Gaudium: nº 1

sábado, 29 de março de 2014

4ª SEMANA DA QUARESMA, ANO A – MATEUS

1ª Leitura: 1Sm 16,1b.6-7.10-13a;  Responsório: Sl 22; Leitura: Ef 5,8-14; Evangelho: Jo 9,1-41

HOMILIA

            No início desta 4ª semana da Quaresma somos convocados a viver o domingo da alegria, pois já se aproxima a páscoa do Senhor, a festa da vida verdadeira e infinita.
            A liturgia da Palavra nos leva a refletir que devemos livrar nossos olhos da cegueira que muitas vezes nos impedem de ver a presença do Senhor em nossas vidas e também os milagres que ele vai operando em nosso caminhar.
Vejamos a ação de Jesus na ação da cura do cego: Cuspiu no chão, fez lama com a saliva e colocou-a sobre os olhos do cego. E disse-lhe: “Vai lavar-te na piscina de Siloé”.  O cego foi, lavou-se e voltou enxergando (Jo 9,6-7).
O que podemos aprender destes versículos do Evangelho de João? Jesus com a sua saliva e um pouco de terra faz lama. O barro nas mãos de Jesus nos lembra a criação, quando o homem esteve nas mãos de Deus, (O perfeito artesão), para ser moldado e criado. Em Jesus o homem é recriado, recapitulado para sair da primeira cegueira: o pecado de Adão. O Senhor nos faz enxergar e nos refaz além do nosso físico, ou seja, além da nossa visão das cores, das coisas, dos outros. O Senhor nos ilumina com sua luz, pois como vasos de barro que somos não podemos ser danificados com os perigos que as trevas poderão nos trazer.
Após a cura, o cego foi aconselhado a se lavar na piscina, pois a água nos lembra que é através do batismo que somos restaurados e inseridos na multidão dos filhos e filhas que participam da ressurreição do Senfhor.
Pelo texto que meditamos neste domingo podemos perceber a tensão que existia no ambiente religioso, social e cultural em que estava aquele cego. Os doutores da lei querendo reprimir o homem que agora enxergava, e por isso, cegos, sem perceber a luz de Deus, buscavam explicações nas leis humanas, também de forma cega, justificando que em dia de sábado ninguém podia trabalhar, inclusive se fosse para fazer o bem.
Até mesmo os discípulos estavam contaminados da pela ideologia dos doutores da lei: Mestre, quem pecou para que nascesse cego: ele ou os seus pais?  (Jo 9,2). Neste momento Jesus também precisou curar os seus colaboradores da cegueira espiritual que impedia ver a glória de Deus se manifestar.
O plano de Deus nos surpreende porque ele age fora dos nossos parâmetros. Foi assim que agiu quando Israel precisou ungir o seu rei. O rei Davi era o que ninguém esperava ser escolhido, estava inclusive pastoreando o rebanho nos campos de Israel. O Senhor disse: 'Levanta-te, unge-o: é este!' a Samuel tomou o chifre com óleo e ungiu a Davi na presença de seus irmãos. E a partir daquele dia o espírito do Senhor  se apoderou de Davi (1Sm 16,12-13). Por isso muitas vezes não podemos enxergar apenas com nossas parâmetros humanos e agir segundo nossos critérios, mas deixar que Deus nos ilumine com sua providência.
Precisamos reconhecer que através do nosso batismo somos iluminados e banhados para sempre pela luz verdadeira e a água da vida que vem do Senhor. Neste sentido somos convidados a ter em nosso coração a convicção que são Paulo nos fala na sua carta aos Efésios: Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz. E o fruto da luz chama-se: bondade, justiça, verdade (5,8-9). De acordo com estes versículos, devemos não somente viver na luz de Cristo, mas vivermos como luz do Senhor através da bondade, justiça e verdade. O mundo necessita desta virtude para que seja mais humano e justo.
Peçamos a luz e a força do Espírito Divino para que nos ilumine em nossa peregrinação terrestre. E que o Bom Pastor nos conduza à vida verdadeira, nos livrando dos perigos que poderão nos levar a nos tira do caminho do céu. Amém.

GUIA-NOS E LAVA-NOS, SENHOR

Como pastor supremo,
Que guia o nosso caminho,
Orienta-nos Senhor,
Com tua luz,
Aonde vamos.

Como Luz em nós,
Faze-nos luz,
Para iluminar o mundo,
Com o teu amor,
Que nunca se acaba.

Como Luz perfeita,
Que nos tira a cegueira,
Mostra-nos Senhor,
O horizonte,
Que queremos chegar.

Como luz da vida,
Cura-nos das incertezas,
Das dúvidas perigosas,
Que nos desviam,
E nos faz errantes.

E nas tuas fontes,
Lava-nos e purifica-nos,
Recapitulando-nos,
Nas tuas mãos,
Nosso oleiro perfeito.

sábado, 22 de março de 2014

3ª SEMANA DA QUARESMA, ANO A – MATEUS

1ª Leitura: Ex 17,3-7; Responsório: Sl 94; Leitura: Rm 5,1-2.5-8; Evangelho: Jo 4,5-42.

HOMILIA

            Quem beber da água que eu lhe darei, esse nunca mais terá sede. E a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna (Jo 4,14).
            Neste 3º Domingo da Quaresma, o evangelista João nos apresenta Jesus em plena luz do dia, marcado pelo sol escaldante, a beira do poço de Jacó.  Cansado, fisicamente, da caminhada de peregrino vai ao poço e aí acontece um encontro com uma mulher samaritana que com certeza sempre ia para aquele poço buscar água. Ela viverá uma experiência nunca esperada, pois aquele meio dia não fora comum como os outros, algo mudou a sua vida completamente. Ela era de um grupo de pessoas descriminadas pelos judeus e, por isso nunca esperaria um encontro com um mestre de Israel, um profeta, que lhe ouvisse e até ousasse pedir-lhe água para beber.
Para os discípulos também foi uma surpresa, porque, ao chegarem junto a Jesus não entendem aquela conversa (Jo 4,27).  A aproximação de Jesus e o diálogo dele com a samaritana apresentam a ação de Deus que vem ao encontro das pessoas pra oferecer a sua vida. Ele é a fonte de água viva e infinita, que sacia a sede de todos os que o encontram.
A presença dele junto àquela mulher mudou o jeito dela enxergar o seu caminho, de conceber a presença de Deus, de buscar os anseios mais profundos da  sua alma, pois agora Deus se coloca no mesmo nível dela para poder se comunicar e oferecer-lhe o sentido verdadeiro da vida.
Alimentada com a presença e a experiência de Jesus, convencida da chegado do Messias ao mundo, a samaritana tornar-se missionária e vai anunciar. Imediatamente, foi à sua cidade comunicar o encontro mais importante e mais marcante da sua existência, e de tão convicta que estava daquela realidade, fez o povo também ir a Jesus (Jo 4, 30, 40-42).
A ação de Jesus de oferecer a verdadeira água para os samaritanos nos lembra o povo no deserto quando falta a água, reclama da sede e diante de Moisés murmura, chegando a duvidar de Deus (Ex 17,7b). Da rocha firme Deus faz brotar a água pra saciar a sede do povo (Ex 17,6b). Moisés é o intercessor do povo, que o escuta e dirige a Deus em oração a sua súplica a favor do povo para solucionar os problemas que vão surgindo na caminhada pelo deserto. Também a samaritana foi à ponte entre seu grupo e Jesus.                Foi por causa do seu anúncio sobre o Senhor que muitos correram ao encontro de Jesus, para matar a sede de amor e superar os tanto vazios e discriminações sofridas por parte dos doutores da lei e fariseus.
Jesus é a nossa fonte de água viva e eterna, na caminhada do nosso deserto, quando muitas vezes sentimo-nos cansados, com sede e pouca força para continuar. Nele encontramos a esperança e a salvação e com ele anunciamos o Reino de Deus.
Pela água somos inseridos no novo povo de Deus através do Batismo, por ela somos purificados do pecado original e nelas somos mergulhados para nascermos de novo e desta vez para a eternidade. O Senhor é a fonte verdadeira que sacia a nossa sede existencial. O Batismo nos dá a dignidade de sermos filhos de Deus e de caminharmos com ele na nossa missão de falar para os outros do encontro que fizemos através da escuta da sua Palavra e do saciar-se do seu corpo e sangue.
Marcados pelo encontro com o Senhor, somos motivados a falar para os irmãos e irmãs como falou São Paulo aos Romanos: E a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado (Rm 5,5).
Portanto, nesta quaresma somos chamados a meditar sobre a nossa experiência de conversão a que fomos chamados na quarta-feira de cinzas. Fomos chamados a vivermos o jejum, a oração e a esmola, como gestos e práticas que nos preparam para a Páscoa. Não podemos esquecer-nos da orientação da Igreja, que neste ano nos chama refletirmos sobre a situação do tráfico humano o qual é uma das grandes chagas que a humanidade está sofrendo.
Rezemos por todos os cristãos para que sejam discípulos missionários de  Jesus Cristo e, sobretudo pelos que fizeram uma experiência de encontro recente com Jesus para que perseveram no caminhar com o Senhor e que rezem sempre como o salmo 94: Vinde, exultemos de alegria no Senhor, aclamemos o Rochedo que nos salva! Ao seu encontro caminhemos com louvores e, com cantos de alegria o celebremos! Amém

DA-ME DESTA ÁGUA VIVA

Senhor,
Dai-me desta água viva
Que sacia e me alivia,
Deixando-me forte,
Vencendo a morte,
Para chegar ao céu.

Senhor,
Dai-me desta água viva,
Que muda a minha vida,
E me faz caminhar,
Sem desanimar,
Rumo a tua fonte.

Senhor,
Dai-me desta água viva,
Que me faz sair,
E aos outros anunciar,
Sempre proclamar,
Tuas maravilhas.

Senhor,
Dai-me desta água viva,
Que me preenche,
Muda minha vida,
Amor sem medida,
Além do meu chão.

Esta água viva,
Quero sempre buscar,
Para purificação,
E a comunhão,
Que me dá sentido,
Sempre encontrar.


sábado, 15 de março de 2014

2ª SEMANA DA QUARESMA, ANO A – MATEUS

1ª Leitura: Gn 12,1-4a; Responsório: Sl 32/33; Leitura: 2Tm 1,8b-10; Evangelho: Mt 17,1-9

HOMILIA

            Irmãos e irmãs, neste 2º Domingo da quaresma, o Evangelista Mateus nos convida a subirmos a montanha com Pedro, Tiago e João e contemplarmos o rosto transfigurado de Jesus que como o sol, ilumina todo homem fazendo resplandecer toda a beleza infinita. As roupas brancas como a luz, nos apresentam a santidade e a pureza do filho muito amado do Pai que também nos envolve com seu amor e nos faz santos como o Pai do Céu é santo.
Há ainda a presença de Moisés e Elias na cena apresentada por Mateus. Eles representam a Lei e os profetas para nos afirmar que em Jesus a Lei é cumprida plenamente porque ele é o novo Moisés aquele que conduz o novo povo de Deus. Em Jesus também está a profecia, o anúncio da justiça e da fraternidade, por que a Palavra de Deus agora se encarnou no meio do homens, fala conosco como amigo.
Os discípulos se deliciam com a experiência mística da transfiguração e querem ficar lá, com tendas armadas para cada um. Isso confirma a vontade humana de ficarmos sempre num ambiente de conforto.  São Leão Magno nos fala que a principal finalidade da transfiguração era afastar dos discípulos o escândalo da cruz, para que a humilhação da paixão, voluntariamente suportada, não abalasse a fé daqueles a quem tinha sido revelada a excelência da dignidade oculta de Cristo[1].
Apesar de que todos nós precisamos ficar um pouco usufruindo do bem estar com a família, com os amigos, precisamos parar um pouco para nos abastecer no aconchego da nossa casa, saborear espiritualmente da maravilhosa e edificante força e encontro com a Eucaristia. Sempre precisamos louvar e buscar a alegria que preenche o nosso coração. Queríamos uma vida sem desafios, sem dor e sem problemas, mas não é possível neste mundo.
Precisamos nos levantar como o Senhor pediu aos seus discípulos, seguir em frente. Faz-se necessário descer o monte da transfiguração, para que iluminados e fortalecidos pela luz do Senhor continuemos caminhando,  para prosseguir com Cristo e anunciar o Reino de Deus com o nosso testemunho e nossa perseverança. Precisamos muitas vezes sair do nosso lugar de mesmice, como Abraão que deixa sua terra e se abre a uma nova experiência de acordo com o que Deus chamou e ao mesmo tempo enviou. E a experiência de caminhar com Jesus na transfiguração e na missão é sempre feita junto aos irmãos, nunca isolada. Devemos ficar atentos à voz do Pai que nos pede para ouvir o seu filho muito amado, para viver o seu Reino de justiça e de amor.
A quaresma é este tempo de rezarmos, silenciarmos, fazer penitência e buscar nos aperfeiçoar cada vez mais na nossa vivência cristã através do sacramento da confissão. Tempo de nos purificar dos apelos que nos tiram do caminho nos deixando acomodados e preguiçosos diante de tantas ações que podemos realizar a serviço do reino de Deus.
Lembremos também da campanha da fraternidade que neste ano nos faz refletir sobre o tráfico humano. Muitas pessoas neste momento são crucificadas pela prostituição e escravidão no trabalho. Muitas crianças são arrancadas de seu lar ou são vendidas pelos que o geraram para serem enviadas a outros lares de forma totalmente ilegal; outros são assinados para que seus órgãos sejam comercializados por criminosos em nome somente do deus dinheiro. Não podemos esquecer que todas essas vítimas são filhos de Deus como cada um de nós. Saiamos do nosso comodismo e indiferença e rezemos por todos eles e se for preciso denunciemos estes casos de morte presente em nosso mundo.

É BOM FICARMOS AQUÍ

Senhor é bom ficarmos aqui,
Na comodidade do teu amor,
No transfigurar da tua beleza,
No encontro da tua mesa,
Num encontro em que não há dor,
Presença santa de tua fortaleza.

Senhor é bom ficarmos aqui,
Como corpo e membros amados,
Como amigos de caminhada,
Presentes à mesa sempre preparada,
Para nos fazer saciados,
Para continuar a caminhada.
  
Senhor é bom ficarmos aqui,
Mas é preciso continuar,
O caminho do discipulado,
Seguindo os passos do teu chamado,
Para o teu Reino anunciar,
E vida nova sempre plantar,
Nos sentido sempre auxiliados.

Senhor é bom ficarmos aqui,
Mas tu mesmo nos chama a levantar,
E sem medo seguir,
Para aos outros se unir,
E anunciar o Reino em comunhão,
Seguir pelas estradas da missão,
Perseverantes, sem desistir.
  
 [1]Dos sermões de São Leão Magno,  Liturgia da Hora II, 2º Domingo da Quaresma.

domingo, 9 de março de 2014

1ª SEMANA DA QUARESMA, ANO A – MATEUS

1ª Leitura: Gn 2,7-9; 3,1-7;  Responsório: Sl 50; Leitura: Rm 5,12-19; Evangelho: Mt 4,1-11

HOMILIA

            A liturgia deste 1º domingo da quaresma nos apresenta através do Evangelista Mateus, Jesus após o batismo, sendo conduzido pelo Espírito ao deserto para enfrentar as tentações do diabo. Jesus sendo Deus não necessitaria ser tentado, mas foi tentado exatamente para nos ensinar como vencermos as tentações que encontramos no deserto de nossa existência. Diz Santo Agostinho: O Senhor poderia impedir o demônio de aproximar-se dele; mas, se não fosse tentado, não te daria o exemplo de como vencer na tentação[1].
            Eis um dos ensinamentos desta liturgia: aprendermos a vencer as tentações, superar aquilo que é pecado em nós e que nos incomoda e que muitas vezes nos induz a  adorarmos os ídolos deste mundo; deixar de buscarmos as soluções de forma mágica é muito fácil com alicerces nas ilusões da vida terrena. Em Cristo aprendemos e também vencemos as tentações da vaidade e dos prestígios que nos levam ao orgulho e a uma postura soberba contra os irmãos.
            Na tentação dos nossos primeiros pais (Adão e Eva), percebemos a fraqueza e a desobediência. Diante dos resultados desta atitude, o casal se percebe na nudez de sua realidade humana. A nudez da qual narra o Gêneses é exatamente a descoberta de que não podemos nada sem Deus e que não podemos ser como Ele, pois somos suas criaturas e já carregamos algo muito precioso: a sua imagem e semelhança. Joguemos fora a nossa prepotência de querermos conduzir nossa existência baseado somente sobre nossas pobres ideias e opiniões pessoais.
             A razão de nossa vida é Cristo, o novo Adão, Aquele que venceu o diabo e nos ensinou também a vencê-lo. Deu-nos a vida verdadeira e nos renovou em seu amor. Quis ser alimento para nós e nos orienta como Palavra viva em nosso peregrinar terrestre.
            Peçamos perdão pelas vezes que nos deixamos vencer pelas tentações...
Lembremo-nos da Campanha da Fraternidade deste ano, que vem refletir sobre o tráfico humano. O tentação do lucro e do poder por parte de muitos, crucifica os pobres e vulneráveis com esta prática criminosa. Usar o outro como mercadoria é um dos mais terríveis crimes contra o ser humano. Muitos dos nossos semelhantes são escravizados e massacrados através da exploração sexual, do trabalho escravo, do tráfico de órgãos e adoção ilegal. Neles Cristo se apresenta crucificado e traficado como foi no processo de sua condenação, ao ser vendido por trinta moedas de prata.
Que as luzes do Espírito nos ilumine e nos encha de força para vencermos as tantas tentação que encontramos a cada dia. Que o nosso jejum, a nossa oração e a nossa esmola nos transformem em pessoas cada vez mais parecidas com Cristo nas atitudes e  nas palavras. Amém.

VENCER AS TENTAÇÕES COM CRISTO

Contigo, Senhor,
Sou vencedor,
Contra o tentador,
Que me quer escravo
Das suas falsidades,
Atrocidades,
Contrárias ao amor.

Em ti, Senhor,
Sou firme e forte,
Venço também a morte,
Que me traz as trevas,
Deixando-me às vezes perdido,
Como se fosse vencido,
Longe da tua sorte.

Por ti, Senhor,
Vou me entregando,
Sempre caminhando,
Rumo à vitória,
Meta dos teus seguidores,
Evangelizadores,
E o reino anunciando.

Para ti, Senhor,
Toda gratidão,
Nada é em vão,
Vamos sempre vencendo,
Vencemos o pecado,
O mal derrotado,
Em ti, novo Adão.

Contigo seguimos, Senhor,
Na fraternidade,
Sendo caridade,
Pelo mundo a fora,
Vivendo a oração,
Sendo comunhão,
Via da santidade.



[1] Dos comentários sobre os salmos, de Santo Agostinho, bispo. Liturgia das Horas, 1º Domingo da Quaresma.

domingo, 2 de março de 2014

8º SEMANA DO TEMPO COMUM, ANO A – MATEUS

1ª Leitura: Is 49,14-15; Responsório: Sl 61;   Leitura: 1Cor 4,1-5;  Evangelho: Mt 6,24-34

HOMILIA

            Neste 8º domingo do Tempo Comum, o Senhor nos ensina: Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo (Mt 6,36). Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro (Mt 6,24b). A nossa vida deve ser orientada para a busca do Reino focando em primeiro nas atitudes que demostram o querer de Deus para a nossa salvação. Somos tentados a todos os momentos a adorar o dinheiro quase sempre de forma inconsciente e, consequentemente, imprudente e oferecer-lhe toda a atenção como se toda a nossa saída principal dos problemas estivessem nele.
            Trabalhar para ganhar o nosso pão de cada dia, formar e orientar os filhos, investir na qualidade de vida, eis a nossa obrigação humana. Nada disso é descartado ao cristão, mas tudo isso dever ser vivido com a nossa confiança na providência do Pai do Céu, que cuida tão bem dos campos, dos animais, ou seja, da sua criação. Nós somos a criação muita boa que Deus fez e o apreciou e ao mesmo tempo entregou tudo o que ele fez ao nosso dispor. Portanto ele cuida com muito carinho e atenção, por isso não nos abandona a nenhum momento.
            Nunca devemos nos sentir como o povo israelita exilado na Babilônia citado nos versículos 14 e 15 do capítulo 49 de Isaías: O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-se de mim! Acaso pode a mulher esquecer-se do filho pequeno, a ponto de não ter pena do fruto de seu ventre?  Mesmo que seja quase impossível uma mãe abandonar um filho, é impossível Deus deixar sem proteção os filhos que ele criou, por que o Senhor é misericórdia. Ele cuida com carinho, por somente nele encontramos repouso, ele é o rochedo e salvação para todos (Sl 61).
            Muitas vezes nos sentimos também como o povo israelita: abandonado, desprotegidos e exilados. Esquecemos que é nos momentos mais difíceis de nossas vidas que Deus nos carrega em seus braços e nos aponta por onde devemos ir. Se ele cuida também da sua criação por que nos deixaria desamparados? O que acontece é que muitas vezes as nossas opções nos colocam no sofrimento existencial, e aí vem o desespero, por que colocamos toda a nossa confiança nos bens materiais. Acumulamos tantas coisas supérfluas que nos incomodam e nos tiram a paz e esquecemo-nos de cultivar e buscar o nosso alimento espiritual na Eucaristia. Esquecemo-nos de buscar a sabedoria de Deus pela sua Palavra e pelo seu amor misericordioso.
            São Paulo na sua carta aos coríntios nos alertará: Então, cada um receberá de Deus o louvor que tiver merecido. Embora Deus seja misericordioso conosco, certas situações que vivemos fizeram ou fazem parte de nossas livres opções. Quando isso acontecer devemos parar e meditar: O que me levou a tal realidade? Que ídolos cultivei e adorei para chegar onde estou?
            Que o Espírito Santo nos ilumine no nosso discernimento e nos fortaleça para vencermos as tentações ligadas às idolatrias que nos desviam do Caminho do Reino de Deus. Somos agraciados por Deus. Se  ele cuida tão bem das plantas do campo, quanto mais de nós que somos os que ele entregou a nossos cuidados tudo o que ele criou. Amém.

AGRACIADOS POR DEUS

Somos importantes Deus,
Mais dos que os lírios belos,
Que enfeitam os campos e castelos
Mais do que as aves do céu,
Mais do que o amar imenso,
Somos a arte muito boa.

Somos parecidos com Deus,
Em suas mãos fomos formados,
Pelos seus olhos contemplados,
Para cuidar das criaturas,
Mas sem idolatria.
Para crescer e multiplicar.

Somos cuidados por Deus,
Ele nos dá toda segurança,
Em quem está nossa esperança,
Como mãe carinhosa ele nos olha,
Não nos abandona hora alguma,
Carrega-nos em seus braços.

Por que buscar outra segurança?
Nas ilusões que logo se esquece?
Nas coisas que rápido perecem?
Busquemos o que é infinito,
Que vem de Deus e sempre será,
Que é eterno e não envelhece.

Deixemos os ídolos que nos enganam,
Mas não nos esqueçamos de caminhar,
Buscando o que é essência para continuar,
Porque somos finitos onde nós estamos,
Porque há muito a se construir,
Caminhemos na firmeza sem flutuar.

Buscai o Reino por primeiro,
Não preocupados com o superficial,
Mas com a vida como o essencial,
O resto virá sem depender de nós,
Deus nos dirá por onde prosseguir,
Sua luz nunca se apagará.